Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade
O Programa de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade, vinculado à Escola de Saúde Pública da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz, por meio do Projeto Qualifica APS, constitui-se como uma estratégia estruturante para o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde no município. Ao longo de sua trajetória, o programa consolidou-se como iniciativa estratégica de formação em serviço, ampliando sua capacidade formadora e seu papel assistencial nos territórios de maior vulnerabilidade social do município. A parceria com a Fiocruz, operacionalizada no âmbito do Projeto Qualifica APS, fortalece a integração entre ensino, serviço e território, qualificando a formação profissional e contribuindo para a consolidação de práticas inovadoras e resolutivas na rede municipal de saúde.
A Medicina de Família e Comunidade é a especialidade médica vocacionada para o cuidado integral, contínuo, humanizado e centrado na pessoa, na família e na comunidade. Seu campo de atuação se desenvolve prioritariamente na Atenção Primária à Saúde, nível assistencial responsável por coordenar o cuidado, ordenar a rede de atenção e responder, com elevada resolutividade, à maior parte das necessidades de saúde da população. Nesse contexto, o médico de família e comunidade é o profissional preparado para atuar nos diferentes ciclos de vida, no manejo de condições agudas e crônicas, na prevenção de agravos, na promoção da saúde, na realização de procedimentos e na articulação com os demais pontos da Rede de Atenção à Saúde.
A residência médica em Medicina de Família e Comunidade representa, nesse cenário, a modalidade mais qualificada de formação profissional, por articular treinamento em serviço, supervisão especializada e desenvolvimento progressivo de competências alinhadas às necessidades concretas do território. Em Campo Grande, o programa foi estruturado em áreas de maior vulnerabilidade da periferia urbana, em regiões que historicamente apresentavam maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde. Assim, além de formar especialistas altamente qualificados, o programa cumpre relevante função social ao ampliar a presença médica, fortalecer as equipes de saúde da família e qualificar o cuidado ofertado à população.
Seu projeto pedagógico encontra-se orientado pelas Atividades Profissionais Confiabilizadoras e pelas competências da Medicina de Família e Comunidade, reafirmando o compromisso com uma formação contemporânea, baseada em competências e aderente às necessidades do Sistema Único de Saúde. No campo da avaliação, o programa adota modelo atualizado em conformidade com a Resolução CNRM nº 4/2023, que dispõe sobre os procedimentos de avaliação dos médicos residentes. Nessa perspectiva, o processo avaliativo contempla, de forma articulada, os eixos cognitivo, psicomotor e atitudinal, permitindo avaliar o desenvolvimento teórico, o desempenho prático em serviço e os aspectos afetivo-profissionais relacionados à responsabilidade, assiduidade, pontualidade, comunicação, trabalho em equipe e postura ética. A norma estabelece, ainda, que cada avaliação periódica quadrimestral deve contemplar esses três domínios, com 70% de suficiência mínima na avaliação cognitiva e conceito satisfatório nas avaliações práticas e atitudinais.
Com meta de integralização de 5.760 horas de treinamento em serviço, distribuídas entre atenção primária à saúde, regulação ambulatorial, urgência e emergência adulto, urgência e emergência pediátrica, urgência e emergência ginecológica e obstétrica e saúde mental, o programa apresenta forte caráter assistencial e formativo, com ampla inserção em cenários reais de prática e expressiva diversidade de procedimentos e experiências clínicas. Para sustentar essa trajetória, conta com instrumentos institucionais de apoio, como Manual do Residente, Manual de Avaliação de Desempenho dos Residentes, Manual do Preceptor, Manual de Avaliação de Desempenho dos Preceptores, Projeto Político-Pedagógico, portfólio e logbook, além da realização de provas práticas no modelo OSCE para residentes do primeiro ano.
Outro diferencial do programa é o estímulo à produção científica vinculada à prática assistencial. O Trabalho de Conclusão de Residência é incentivado, preferencialmente, na forma de artigo científico, favorecendo a sistematização das experiências desenvolvidas na Atenção Primária à Saúde e a ampliação da produção de conhecimento no campo da Medicina de Família e Comunidade. Conforme dados institucionais do programa, atualmente a residência conta com 72 médicos residentes matriculados entre o primeiro e o segundo ano e já formou 169 especialistas, hoje inseridos em diferentes regiões do país, do Amazonas ao Rio Grande do Sul, atuando tanto no setor público quanto na saúde suplementar.
Dessa forma, o Programa de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade da Escola de Saúde Pública da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande, em parceria com a Fiocruz por meio do Projeto Qualifica APS, afirma-se como iniciativa estratégica para a formação de especialistas, o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, a qualificação do cuidado nos territórios e a consolidação dos princípios do Sistema Único de Saúde.
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